Letras: Nivea Viva Elis

Letras das canções do Set List dos shows #NiveaVivaElis

SET LIST:

01.Imagem (Luiz Eça/ Aloysio de Oliveira)
02.Arrastão (Edu Lobo/ Vinicius de Moraes)
03.Como nossos pais (Belchior)
04.Vida de bailarina (Américo Seixas/ Dorival Silva)
05.Bolero de Satã (Guinga/ Paulo César Pinheiro)
06.Águas de março (Antonio Carlos Jobim)
07.Saudosa maloca (Adoniran Barbosa)
08.Agora tá (Tunai/ Sergio Natureza)
09.Ladeira da Preguiça (Gilberto Gil)
10.Vou deitar e rolar (Quaquaraquaquá) (Baden Powell/ Paulo César Pinheiro)
11.Querelas do Brasil (Maurício Tapajós/ Aldir Blanc)
12.O bêbado e a equilibrista (João Bosco/ Aldir Blanc)
13.Menino (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)
14.Onze fitas (Fatima Guedes)
15.Me deixas louca (Me Vuelves Loco) (Armando Manzanero/ Paulo Coelho)
16.Tatuagem (Chico Buarque/ Ruy Guerra)
17.Essa mulher (Joyce/ Ana Terra)
18.Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil)
19.Zazueira (Jorge Ben Jor)
20.Alô, alô, marciano (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
21.Aprendendo a jogar (Guilherme Arantes)
22.Doce de pimenta (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
23.Morro velho (Milton Nascimento)
24.O que foi feito devera (De vera) / Maria, Maria (Milton Nascimento/ Fernando Brant)
25.Fascinação (Fascination) (F. D. Marchetti/ M. de Feraudy/ Armando Louzada)
26.Romaria (Renato Teixeira)
27.Madalena (Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro de Souza)
28.Redescobrir (Luiz Gonzaga Jr.)

LETRAS DAS CANÇÕES:

1 – Imagem

(Luiz Eça/ Aloysio de Oliveira)

Ai que bom é ver vocês
E cada vez que eu volto é pra dizer
Que sem ter vocês
Sem ver vocês
Não sou ninguém

Canta que a vida passa
E se ela passa
Melhor cantar
É de vocês o meu cantar
É só pra vocês nosso cantar

Enquanto a nossa meta não for atingida
Continuamos gritando o nosso canto
Enquanto nossa música não voltar ao que é
Nós lutamos, faz escuro, mas nós cantamos
O amanhã tá breve
Vamos cantar logo, logo, o que é nosso
Porque mais que nunca
É preciso cantar o que é nosso

2 – Arrastão

(Edu Lobo/ Vinicius de Moraes)

Ih! Tem jangada no mar
Ei! Ei! Ei! Hoje tem arrastão
Eh! Todo mundo pescar
Chega de sombra e João, Jô, viu?

Olha o arrastão entrando no mar sem fim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim

Minha Santa Bárbara, me abençoai
Quero me casar com Janaína

Ih! Puxa bem devagar
Ei! Ei! Ei! Já vem vindo o arrastão
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede, João, pra mim

Valha-me, Deus, Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais, se viu tanto peixe assim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim

3 – Como Nossos Pais

(Belchior)

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
Por isso, cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam, não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

4 – Vida de Bailarina

(Américo Seixas/ Dorival Silva)

Quem descerrar a cortina
Da vida da bailarina
Há de ver cheio de horror
Que no fundo do seu peito
Abriga um sonho desfeito
Ou a desgraça de um amor
Os que compram o desejo
Pagando amor a varejo
Vão falando sem saber
Que ela é forçada a enganar
Não vivendo pra dançar
Mas dançando pra viver

5 – Bolero de Satã

(Guinga/ Paulo César Pinheiro)

Você penetrou como o sol da manhã
E em nós começou uma festa pagã
Você libertou em você a infernal cortesã
E em mim despertou esse amor
Atormentado e mal de Satã

Você me deixou como o fim da manhã
E em mim começou esse angústia, esse afã
Você me plantou a paixão imortal e malsã
Que se enraizou e será meu maldito final, amanhã

E agora me aperta a aflição
De chorar louco e só de manhã
É a seta do arco da noite
Sangrando-me agora
São lágrimas, sangue e veneno
Escorrendo do meu coração
Formando-me dentro esse pântano de solidão

6 – Águas de Março

(Antonio Carlos Jobim)

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite, é a morte
É um laço, é o anzol
É peroba-do-campo
O nó da madeira
Caingá, candeia
É o matita-pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira
É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga, é o vão
Festa da cumeeira
É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira
É o pé, é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto, um desgosto
É um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto
É prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

É uma cobra, é um pau
É João, é José
É um espinho na mão
É um corte no pé

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã

São as águas de março
Fechando o verão
É promessa de vida
No teu coração

São as águas de março
Fechando o verão
É promessa de vida
No teu coração…

7 – Saudosa Maloca

(Adoniran Barbosa)

Se o sinhô não tá lembrado
Dá licença de contar
Ali onde agora está
Este adifício arto
Era uma casa veia
Um palacete assobradado
Foi ali, seu moço
Que eu, Mato Grosso
E o Joca
Construímo
Nossa maloca

Mas, um dia
Nóis nem pode
Se alembrá
Veio os home
Co as ferramenta
O dono mandô dirrubá

Peguemo tudo as nossas coisa
E fumo pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza
Que nóis sintia
Cada tauba que caía
Duía no coração

Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
“Os home tá co a razão
Nóis arranja outro lugá”

Só se conformemo
Quando o Joca falou:
“Deus dá o frio
Conforme o coberto”

E hoje nóis pega as paia
Nas grama dos jardim
E pra esquecer
Nóis cantemo assim

Saudosa maloca
Maloca querida
Qui dim donde nóis passemo
Dias filiz da nossa vida

8 – Agora Tá

(Tunai/ Sergio Natureza)

Já que tá aí
Pela metade, mas tá
Melhor cuidar
Pra peteca não cair
Pra não deixar escapulir
Como água no ralo
Aquilo que já fez calo
Doeu feito joanete
Castigou nosso cavalo
Cortou como canivete
Feriu, mexeu, mixou

Nunca comeu melado
Vai lambuzar
Se vacilar pode cantar pra subir
Porque não dá pra começar todo rolo de novo
Se o bolo ficar sem ovo
Se a massa não tem fermento
Se não cozinhar por dentro
Vai tudo por água abaixo

Eu acho, eu acho, acho que agora tá
Quase no ponto, tá
No ponto de provar
Eu acho que agora tá
No ponto de provar

Eu acho que agora tá
Pra lá de pronto, tá
Eu acho que agora tá
No ponto de provar
Eu acho que agora tá
No ponto de solar

Já que tá aí…

9 – Ladeira da Preguiça

(Gilberto Gil)

Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça

Preguiça que eu tive sempre de escrever para a família
E de mandar conta pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina
Já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino
Já canta cantigas e já não bota mais a mão na braguilha

E pra falar do mundo falo uma besteira
Fomenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe

Que nem lá, na Ilha do Medo
Que nem lá, na Ilha do Frade
Que nem lá, na Ilha de Maré
Que nem lá, Salina das Margaridas

Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça

Ela é de hoje
Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça

10 – Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaquá)

(Baden Powell/ Paulo César Pinheiro)

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé
Nem nunca mais vai dar
Também, quem mandou se levantar?
Quem levantou pra sair
Perde o lugar

E agora, cadê teu novo amor?
Cadê, que ele nunca funcionou?
Cadê, que ele nada resolveu?

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
(Ainda sou mais eu)

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira da mancada que a Terezinha deu
Que deu no pira
E ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré
(Breque)
Mas que malandro sou eu
Pra ficar dando colher de chá
Se eu nem tive colher?
Vou deitar e rolar

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê, que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

11 -  Querelas do Brasil

(Maurício Tapajós/ Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil

Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore, Jobim-açu
Oh, oh, oh

Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil

Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, Arirariboia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh

Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará
Cascadura, Água Santa, Acari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará

Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil

12 -  O bêbado e a Equilibrista

(João Bosco/ Aldir Blanc)

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua
Tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

13 – Menino

(Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)

Quem cala sobre teu corpo
Consente na tua morte
Talhada a ferro e fogo
Nas profundezas do corte
Que a bala riscou no peito

Quem cala, morre contigo
Mais morto que estás agora
Relógio no chão da praça
Batendo, avisando a hora
Que a raiva traçou
No incêndio repetindo
O brilho de teu cabelo
Quem grita, vive contigo

14 – Onze Fitas

(Fatima Guedes)

Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá, morto e posto um desregrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado

Onze tiros e não sei por que tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele, um outro ia

Deus o livre morrer assassinado
Pro seu santo não era um qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum

Quantas vezes se leu só nesta semana
Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima…

15 -  Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco)

(Armando Manzanero/ Paulo Coelho)

Quando caminho pela rua lado a lado com você
Me deixas louca
E quando escuto o som alegre do teu riso
Que me dá tanta alegria
Me deixas louca

Me deixas louca quando vejo mais um dia
Pouco a pouco entardecer
E chega a hora de ir pro quarto escutar
As coisas lindas que começas a dizer
Me deixas louca

Quando me pedes, por favor, que nossa lâmpada se apague
Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera
Me deixas louca

E quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas
Desaparecem as palavras
Outros sons enchem o espaço
Você me abraça, a noite passa
E me deixas louca

16 – Tatuagem

(Chico Buarque/ Ruy Guerra)

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, farta, murcha, morta de cansaço

Eu quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas quando a noite vem
Eu quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro, a fogo
Em carne viva
Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

17 – Essa Mulher

(Joyce/ Ana Terra)

De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz

De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz

De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quantos homens enlouquecem
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz

Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro a toda hora
Num espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural

18 – Se Eu Quiser Falar Com Deus

(Gilberto Gil)

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós

Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão

Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

19 – Zazueira

(Jorge Ben Jor)

Citação: Brazilian Rhyme (Interlude 1) (Maurice White)

Ela vem chegando
E feliz vou esperando
A espera é difícil
Mas eu espero sambando

Menina bonita com céu azul
Ela é uma beleza
Menina bonita, você é demais
Alegria da minha tristeza

Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira

Ela vem chegando
E feliz vou esperando

A espera é difícil
Mas eu espero sambando

Uma flor é uma rosa
(E) Uma rosa é uma flor
É um amor essa menina
Essa menina é o meu amor

Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira

20 – Alô, Alô, Marciano

(Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si, todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atolar, Alá
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

21 – Aprendendo a Jogar

(Guilherme Arantes)

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Água mole em pedra dura
Mais vale que dois voando
Se eu nascesse assim… pra lua
Não estaria trabalhando

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Mas em casa de ferreiro
Quem com ferro se fere é bobo
Cria fama, deita na cama
Quero ver o berreiro na hora do lobo

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Quem tem amigo cachorro
Quer sarna para se coçar
Em boca fechada não entra besouro
Macaco que muito pular quer dançar

Vivendo e aprendendo a jogar…

22 – Doce de Pimenta

(Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Cada um vive como pode
E eu não nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
E eu não faço manha pra comer

A vida é como uma escola
E a morte é um vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar

Mas quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta

No fundo, eu sou otimista
Mas eu sempre penso o pior
Me cansa essa vida de artista
Mas cada vez o prazer é maior

E quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta

23 – Morro Velho

(Milton Nascimento)

No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada

Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada conta histórias pra moçada

Filho do sinhô vai embora
Tempo de estudo na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
“Não me esqueça, amigo, eu vou voltar”
Some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá-mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada já não brinca, mas trabalha

24 – O que foi feito devera (De vera) / Maria, Maria

(Milton Nascimento/ Fernando Brant)

O que foi feito, amigo
De tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida?
O que foi do amor?

Quisera encontrar
Aquele verso, menino, que escrevi
Há tantos anos atrás

Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será

E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir

Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer

Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz

***
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

25 -  Fascinação (Fascination)

(F. D. Marchetti/ M. de Feraudy/ Armando Louzada)

Os sonhos mais lindos, sonhei
De quimeras mil, um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção
Com sofreguidão, mil venturas previ

O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria e entontece
És fascinação, amor

26 – Romaria

(Renato Teixeira)

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido
Em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida a sol

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão
Minha mãe, solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir de
Romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

27 – Madalena

(Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro de Souza)

Oh, Madalena
O meu peito percebeu
Que o mar é uma gota
Comparado ao pranto meu

Fique certa
Quando o nosso amor desperta
Logo o sol se desespera
E se esconde lá na serra

Eh, Madalena
O que é meu não se divide
Nem tampouco se admite
Quem do nosso amor duvide

Até a lua se arrisca num palpite
Que o nosso amor existe
Forte ou fraco, alegre ou triste

28 – Redescobrir

(Luiz Gonzaga Jr.)

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como um animal que sabe da floresta
Redescobrir o sal que está na própria pele
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Redescobrir o gosto e o sabor da festa

Vai o bicho-homem, fruto da semente
Renascer da própria força, própria luz e fé
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
Somos a semente, ato, mente e voz

Não tenha medo, meu menino povo
Tudo principia na própria pessoa
Vai como a criança que não teme o tempo
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Memória!
Macias!
Histórias!
Magia!

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

 

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